Curso de Hemoterapia chega à sua 20ª edição

Em duas décadas, o evento passou por todas as regiões do País atualizando centenas de hemoterapeutas brasileiros

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Com mais de 70 participantes, o Curso de Hemoterapia, organizado pela Escola Brasileira de Hematologia (EBH), foi realizado entre 26 e 28 de setembro de 2013, em Atibaia (SP). Durante o evento, que teve o apoio do Hemocentro de Ribeirão Preto e da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), foram debatidos temas referentes à qualidade e financiamento dos serviços de hemoterapia no País (públicos e privados), além da questão da formação dos hemoterapeutas brasileiros. Logo no início, o presidente da ABHH Dimas Tadeu Covas resgatou as duas décadas de história do Curso e discorreu sobre os avanços ocorridos no período. “A proposta do Curso sempre foi a de chegarmos com o que há de mais recente na área para todos os hematologistas do Brasil. Sendo assim, a próxima edição será realizada em Palmas (TO)”, expôs.

No primeiro dia do Curso, os palestrantes destacaram as fragilidades da segurança transfusional, potencializadas pela ausência da obrigatoriedade do teste NAT em todo o País. Além disso, foi discutida a questão do ressarcimento por procedimentos hemoterápicos e explanado aos presentes como utilizar a tabela da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). O Programa de Acreditação ABHH/AABB para Serviços de Terapia Celular também recebeu destaque na palestra Sistema de Qualidade em Bancos de Sangue e Centros de Terapia Celular.

Já no dia 27 de setembro, o diretor financeiro da ABHH, Dante Langhi Jr., reforçou a importância do NAT, a situação atual do teste e as perspectivas futuras. Relatou também seus impactos legais, sociais e econômicos, destacando os custos no Brasil. “É importante refletir sobre algumas questões relacionadas ao NAT e qual seu impacto na prática médica e na vida dos pacientes”, disse. Já o representante da Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Marcelo Addas de Carvalho, destacou a finalidade do NAT, o histórico de sua implantação e a evolução do número de testes realizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

O diretor de Defesa de Classe da ABHH, José Francisco Comenalli Marques Jr., expôs sobre a interconsulta hemoterápica, destacando dados da hemoterapia no Brasil, os números de hemoterapeutas por estado e a formação desses especialistas na graduação. Já Sheila Soares, do Hemocentro de Minas Gerais, falou sobre os doadores de sangue e características socioepidemiológicas e sanitárias, destacando as campanhas midiáticas realizadas por todo o Brasil e as principais dificuldades dos hemocentros.

Eugênia Maria Amorim Ubiali, abordou os riscos da contaminação bacteriana, e Gil Cunha De Santis explanou sobre a doação de plaquetas e células-tronco e a questão do uso de plasma rico em plaquetas. Ambos profissionais são do Hemocentro do Ribeirão Preto. Já Alfredo Mendrone Jr., da Fundação Pró-Sangue palestrou sobre o banco de sangue de cordão umbilical: “É pouco provável o uso futuro desse material pelos pais das crianças, e há muitas propagandas ilusórias realizadas pelos bancos privados”, ressaltou. Além disso, o diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea (Cemo) do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luis Fernando da Silva Bouzas, explanou sobre o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) e destacou o perfil dos doadores no Brasil. E o vice-presidente da ABHH elucidou mitos e verdades da terapia celular.

No último dia do evento, foram abordados os temas Transfusão Baseada em Evidências: Hemácias e Plaquetas e Manejo e Monitoramento da Sobrecarga de Ferro: Como eu trato?, além das considerações finais e sugestões para as próximas edições do Curso de Hemoterapia.