Encontro discute avanços e desafios no tratamento da SMD *

Mais de 160 especialistas, entre onco-hematologistas e hematologistas pediatrátricos, reuniram-se no 1º Encontro do Comitê de Síndrome Mielodisplásica (SMD) da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), dias 5 e 6 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ). Dividido em duas grandes áreas, idoso e infantil, o programa científico foi fundamentado na estratificação do risco e na definição do prognóstico como base para a escolha do tratamento mais adequado para cada paciente.

Formado pelos hematologistas Elvira Velloso, Irene Lorand-Metze, Lígia Niero-Melo, Luiz Fernando Lopes, Maria de Lourdes Chauffaille e Silvia M. M. Magalhães – também vice-diretora de defesa de classe da ABHH -, o Comitê de SMD tem como uma de suas missões realizar um encontro educacional por ano. “Esse modelo já acontece com sucesso no Comitê de Glóbulos Vermelhos. No caso da SMD, doença em que a geração de conhecimento é muito rápida, o evento é uma boa oportunidade para informação e atualização”, relata Silvia M. M. Magalhães.

Para ela, esse é um momento único para a SMD no País. Os hematologistas estão ávidos por conhecer essa patologia que atinge em sua maioria idosos. Ainda de acordo com a vice-diretora, hoje, com o aumento da expectativa de vida e o acesso a novas drogas para tratar a SMD, a comunidade científica tem voltado os olhos para a doença.

Na área pediátrica, foram apresentados estudos pioneiros do Grupo Cooperativo Brasileiro de SMD em Pediatria, coordenado por Luiz Fernando Lopes. Também foram discutidas a epidemiologia, as dificuldades de se conseguir doadores de medula para crianças e a importância de se realizar no Brasil protocolos de transplante haploidêntico como opção terapêutica de cura nos casos de SMD.

Já no campo terapêutico, o tom do diálogo entre os participantes foi de indignação. “Na rede pública o cenário está longe de ser satisfatório”, relatou Silvia. Segundo ela, há seis meses o Sistema Único de Saúde (SUS) suspendeu o fornecimento da eritropoetina, que é a droga de primeira linha para o paciente de baixo risco. Essa situação deixa os especialistas sem opção: “O processo de aquisição de hipometilante também é complicado”. Por ser caro, geralmente, só é adquirido por meio de mandato judicial.

* Texto publicado após o Encontro de 2011